O modelo de “Search Funds” vem se consolidando como uma alternativa relevante de empreendedorismo e investimento no Brasil. Em 2025, o tema ganhou maior visibilidade na mídia especializada, com a divulgação de casos concretos, crescimento do número de searchers e operações bem-sucedidas em diferentes setores da economia. O que antes era visto como uma tese emergente passou a ocupar espaço no mercado de M&A, atraindo tanto executivos em transição quanto investidores institucionais.
Em sínteses, e de forma objetiva, um Search Fund, ou Search Company, é um veículo no qual um empreendedor capta recursos junto a investidores para buscar, adquirir e gerir uma empresa já em operação. O foco está na profissionalização da gestão, evolução e expansão do negócio, aumento da eficiência operacional e na geração de valor no médio e longo prazo. Ao longo de alguns anos, essas iniciativas devem, em geral, levar a empresa adquirida a um patamar superior de performance. A saída do investimento — seja via venda estratégica, compra por fundos de private equity ou até recapitalização — tende a ocorrer com múltiplos significativamente maiores do que aqueles pagos na aquisição.
Diferentemente das startups, o modelo parte de empresas maduras, com receita recorrente, histórico operacional e base de clientes estabelecida. Essa estrutura já consolidada reduz de forma relevante os riscos iniciais típicos do empreendedorismo tradicional, permitindo que o gestor concentre seus esforços naquilo que realmente impulsiona a criação de valor: eficiência operacional, crescimento estratégico e fortalecimento da governança. Além disso, a existência de um negócio já validado pelo mercado cria um ponto de partida mais previsível para implementar melhorias.
Em 2025, um dos principais destaques foi o aumento do número de ‘exits’ (saídas do investimento) no mercado brasileiro. A matéria publicada pelo IGCP apontou recorde de desinvestimentos no ano, incluindo empresas como Labsoft, i4pro, Greentech, MK Soluções e Agger:
🔗 https://igcp.com.br/blog-posts/search-funds-se-consolidam-no-brasil-com-recorde-de-exits-em-2025
Outro marco relevante foi a consolidação histórica do modelo no país. A reportagem do Brazil Economy destacou os dez anos do primeiro Search Fund brasileiro e sua trajetória de desenvolvimento:
🔗 https://brazileconomy.com.br/2025/08/dez-anos-apos-primeira-aposta-em-search-funds-no-brasil-modelo-segue-com-grande-potencial
No cenário internacional, com repercussão no Brasil, o portal Search Funds News destacou a aquisição acelerada realizada pela Spuri Capital, considerada a mais rápida da história do modelo no país:
🔗 https://searchfundsnews.com/spuri-capital-completes-the-fastest-sf-acquisition-ever-in-brazil
Esses exemplos demonstram que, em 2025, o modelo deixou de ser apenas conceitual e passou a apresentar resultados mensuráveis, com aquisições, crescimento operacional e liquidez para investidores.
Do ponto de vista estrutural, o Brasil reúne condições favoráveis para a expansão dos Search Funds: grande número de empresas familiares, desafios de sucessão, demanda por profissionalização na gestão, e mercado consumidor relevante.
Em uma projeção otimista, é esperado que o volume de capital destinado a esse modelo continue crescendo, ampliando o número de searchers, investidores especializados e operações bem-sucedidas. Esse movimento tende a gerar benefícios sistêmicos, como aumento da produtividade, modernização da gestão e maior integração entre capital e empreendedorismo.
Para executivos, o Search Fund representa uma alternativa concreta de carreira empreendedora, permitindo liderar um negócio real, com impacto direto no desenvolvimento de uma empresa. Para investidores, uma classe de ativos com potencial de retorno alinhado ao desempenho operacional da companhia adquirida.
Equipe Societária e de Mercado de Capitais
Pedro Eduardo Gazel Lenti | RMDC Advogados pedrolenti@chohfi.adv.br
Ana Carolina Crepaldi | RMDC Advogados carolinacrepaldi@chohfi.adv.br
